15 de Janeiro, 2018

Pecado é renunciar ao encontro com o outro, diz Papa

No Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, Francisco destacou importância de acolher, proteger, promover e integrar migrantes e refugiados

No Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, comemorado neste domingo, 14, o Papa Francisco presidiu uma Missa com a presença de migrantes e refugiados de 49 países. “Ele [Deus] nos pede para honrar o fato de que fomos criados como seres únicos e irrepetíveis, todos diferentes uns dos outros e com um papel singular na história do mundo”, disse Francisco ao iniciar a homilia.

O Santo Padre comentou o Evangelho do dia, em que os dois discípulos de João perguntam onde Jesus mora, sugerindo que seu julgamento sobre Cristo depende da resposta a esta questão. “A resposta de Jesus é clara – ‘Venha ver’ – e aberta a uma reunião pessoal, que contempla um momento adequado para receber, conhecer e reconhecer o outro”.

Segundo ele, o convite de Jesus aos discípulos de João é dirigido a todos: “É um convite a superar os nossos medos para poder ir ao encontro do outro, para o acolher, conhecer e reconhecer. É um convite que oferece a oportunidade de se fazer próximo do outro para ver onde e como vive”.

O Pontífice ressaltou que acolher, conhecer e reconhecer significa conhecer e respeitar as leis, a cultura e as tradições dos países dos migrantes e refugiados. “Para as comunidades locais, acolher, conhecer e reconhecer significa abrir-se à riqueza da diversidade sem preconceitos, compreender as potencialidades e as esperanças dos recém-chegados, bem como a sua vulnerabilidade e os seus temores”.

Francisco destacou que o encontro autêntico com o outro não termina no acolhimento, mas compreende outras três ações: proteger, promover e integrar. “No verdadeiro encontro com os outros, seremos capazes de reconhecer Jesus Cristo que pede para ser recebido, protegido, promovido e integrado? O encontro com Cristo é a fonte da salvação, uma salvação que deve ser anunciada e trazida a todos”, disse.

A experiência do encontro, segundo o Papa, não é fácil, pois exige o convívio com o diferente e a compreensão de pensamentos e experiências, o que pode gerar uma barreira. “Renunciamos com frequência ao encontro com o outro e erguemos muros para nos defendermos”.

“Estes medos são legítimos, fundados em dúvidas plenamente compreensíveis de um ponto de vista humano. Ter dúvidas e receios não é um pecado. O pecado é deixar que estes medos determinem as nossas respostas, condicionem as nossas escolhas, comprometam o respeito e a generosidade, alimentem o ódio e a recusa. O pecado é renunciar ao encontro com o outro (...) que de fato é uma ocasião privilegiada de encontro com o Senhor”.

Ao final da homilia, o Santo Padre apontou que a relação das comunidades e dos acolhidos deve ser de oração recíproca. “Os migrantes e refugiados oram pelas comunidades locais, e as comunidades locais oram pelos recém-chegados e pelos migrantes de mais longa permanência”.

O Papa concluiu entregando as esperanças de todos os migrantes e refugiados e as aspirações das comunidades que os acolhem à intercessão de Maria Santíssima. “Para que aprendamos todos a amar o outro, o estrangeiro, como amamos a nós mesmos”, rogou.


Fonte: Amex, com Rádio Vaticano


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