19 de Maio, 2014

A mensagem de Francisco pelo 50° aniversário do Pontifício Conselho do Diálogo Inter-religioso

“Que o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso prossiga com um renovado ardor a própria missão, que muito poderá contribuir para a causa da paz e para o autêntico progresso dos povos”

É o desejo expresso pelo Papa Francisco na mensagem dirigida ao Presidente do referido dicastério vaticano, Cardeal Jean Louis Tauran e aos participantes de uma conferência por ocasião das comemorações do 50º aniversário de sua fundação.


“A instituição do Secretariado para os Não-cristãos, com a Carta Apostólica Progrediente Concilio de 19 maio de 1964 – recordou o Papa no início da mensagem – foi uma das importantes decisões que, com ponderada reflexão, o Servo de Deus Paulo VI, tomou durante o Concílio Ecumênico Vaticano II, para começar a traduzir as suas orientações e para guiar a Igreja universal no caminho da desejada renovação”.


Citando a Ecclesiam suam, a primeira e programática Encíclica de Paulo VI, Francisco recordou o tempo do Concílio, quando a Igreja “sentia-se animada por um sincero desejo de encontro e diálogo com toda a humanidade, em poder apresentar-se a um mundo em rápida transformação, na sua mais profunda e autêntica identidade”.


“Desde o princípio – continuou o Pontífice - foi claro que tal diálogo não implicava relativizar a fé cristã ou de colocar de lado a aspiração, existente no coração de cada discípulo, de anunciar a todos a alegria do encontro com Cristo e o seu chamado universal”. “O Diálogo – sublinhou – só é possível a partir da própria identidade”.


O Santo Padre citou a Carta Encíclica Redemptoris missio, ao afirmar que São João Paulo II mostrou em numerosas ocasiões, com palavras e gestos, que “diálogo e anúncio não se excluem, mas tem uma ligação íntima, mesmo sendo distintos, e não devem nem mesmo ser confundidos, nem instrumentalizados, nem julgados equivalentes ou intercambiáveis”. Na verdade “é o Espírito que age, quer quando vivifica a Igreja e a impulsiona a anunciar o Evangelho, quer quando semeia e desenvolve os seus dons em todos os homens e os povos, guiando a Igreja para descobri-los, promovê-los e recebê-los mediante o diálogo”.


Francisco disse ainda que desde o início de seu ministério como Bispo de Roma, vem reiterando que “a Igreja Católica tem a consciência da importância que tem a promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diversas tradições religiosas”.


“A Igreja deseja estar próxima e ser companheira do caminho de todos os homens”, disse o Papa. “Tal disponibilidade em caminhar juntos é tão mais necessária no nosso tempo, marcado por profundas e nunca antes conhecidas interações entre povos e culturas diversas”.


Neste contexto, o Santo Padre exortou a Igreja a “percorrer o caminho do diálogo e a intensificar a cooperação, já frutuosa, com todos aqueles que, pertencentes a diferentes tradições religiosas, partilham a vontade de construir relações de amizade e tomam parte nas numerosas iniciativas de diálogo”.

 

Fonte: News.Va