10 de Junho, 2019

"A primeira e derradeira necessidade da Igreja é o Espírito", afirma o Papa

O poder do Espírito Santo foi tema da homilia de Francisco na Missa deste domingo, 09, Solenidade de Pentecostes

Neste domingo, 09, Solenidade de Pentecostes, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Praça São Pedro, na presença de milhares de fiéis e peregrinos. Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre o poder do Espírito Santo na vida da Igreja e dos fiéis.
“O Pentecostes chegou, para os discípulos, depois de cinquenta dias incertos. Por um lado, Jesus ressuscitara: cheios de alegria, tinham-No visto, escutado e até comido com Ele. Por outro, ainda não superaram dúvidas e temores: estavam com as portas fechadas, com perspectivas reduzidas, incapazes de anunciar o Vivente. Depois, chega o Espírito Santo e as preocupações desaparecem: agora os Apóstolos não têm medo, nem sequer à vista de quem os prende. (...) Antes, fechados no Cenáculo; agora, levam o anúncio a todas as nações”, explicou o Papa.
Ele destacou que o Espírito é harmonia, capaz de transformar a vida, como fez com os discípulos. “Era dentro, no coração, que os discípulos precisavam de ser mudados. A sua história diz-nos que a própria visão do Ressuscitado não basta, é preciso acolhê-Lo no coração. De nada aproveita saber que o Ressuscitado está vivo, se não se vive como ressuscitados. E é o Espírito que faz viver e ressurgir Jesus em nós, que nos ressuscita dentro. Por isso, Jesus, ao encontrar os Seus, repete: «A paz esteja convosco» e dá o Espírito”, disse.
Em seguida, Francisco advertiu sobre a pressa imposta pelos tempos atuais, que interfere na harmonia do Espírito Santo. “Parece que a harmonia esteja posta de lado: reclamados por uma infinidade de coisas, arriscamo-nos a explodir, solicitados por um nervosismo contínuo que nos faz reagir mal a tudo, (...) quando, na verdade, aquilo de que precisamos é, sobretudo, o Espírito”.
Segundo o Pontífice, o Espírito é paz na ansiedade, alegria na tristeza e coragem na prova. “É Ele que, no meio das correntes tempestuosas da vida, mantém firme a âncora da esperança. (...) É o Consolador, que nos transmite a ternura de Deus. (...) Sem o Espírito, Jesus permanece um personagem do passado; com o Espírito, é pessoa viva hoje. Sem o Espírito, a Escritura é letra morta; com o Espírito, é Palavra de vida. Um cristianismo sem o Espírito é um moralismo sem alegria; com o Espírito, é vida”, destacou.
Ele comentou também que, hoje, as desarmonias tornaram-se verdadeiras divisões. E exortou: “Precisamos do Espírito de unidade, que nos regenere como Igreja, como Povo de Deus e como humanidade inteira. Há sempre a tentação de construir «ninhos»: reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, o semelhante com o semelhante, alérgicos a toda a contaminação”.
O Santo Padre explicou que, para saborear a harmonia do Espírito, é preciso colocá-lo à frente. “Com o Espírito, a Igreja é o Povo Santo de Deus, a missão é o contágio da alegria (...). Mas, sem o Espírito, a Igreja é uma organização, a missão é propaganda, a comunhão é um esforço. (...) A primeira e a derradeira necessidade da Igreja é o Espírito. Ele «vem aonde é amado, aonde é convidado, aonde é esperado»”.
Finalizando sua homilia, Francisco convidou os fiéis a rezarem diariamente ao Espírito Santo. “Rezemos-Lhe diariamente. Espírito Santo, harmonia de Deus! Vós que transformais o medo em confiança e o fechamento em dom, vinde a nós. Dai-nos a alegria da ressurreição, a perene juventude do coração. Espírito Santo, nossa harmonia! Vós que fazeis de nós um só corpo, infundi a vossa paz na Igreja e no mundo. Espírito Santo, tornai-nos artesãos de concórdia, semeadores de bem, apóstolos de esperança”, concluiu.


Fonte: Amex, com Vatican News