11 de Novembro, 2019

Papa: é na fraternidade que a vida é mais forte do que a morte

Explicando o Evangelho do 32º Domingo do Tempo Comum na Praça São Pedro neste domingo, 10, o Papa Francisco afirmou que não há vida onde se tem a pretensão de pertencer somente a si mesmo, vivendo como ilhas

O Papa Francisco comentou em sua alocução deste domingo, 10, na Praça São Pedro, sobre o Evangelho do 32º Domingo do Tempo Comum, onde o apóstolo Lucas relata o ensinamento de Jesus sobre a ressurreição. “O que será da nossa vida depois da peregrinação terrena?”, questionou o Pontífice.

De quem será esposa?

No trecho de Lucas (cfr Lc 20,27-38), Jesus oferece um ensinamento sobre a ressurreição dos mortos ao responder a uma pergunta insidiosa dos saduceus, que não acreditavam na ressurreição. A pergunta faz referência a um caso paradoxal: de quem será esposa, na ressurreição, uma mulher que teve sete maridos sucessivos, todos irmãos entre si, os quais um após o outro morreram?

De acordo com o Pontífice, Jesus não cai na armadilha e replica que não há casamento aos ressuscitados. “Nem eles se casam nem elas se dão em casamento; e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram".

O Papa explicou que, com esta resposta, Jesus convida os seus interlocutores, antes de tudo, – e também a nós – a pensar que esta dimensão terrena em que vivemos agora não é a única, mas existe outra, não mais sujeita à morte, em que se manifestará plenamente que somos filhos de Deus.

“É de grande consolação e esperança ouvir esta palavra simples e clara de Jesus sobre a vida além da morte; é disto de que precisamos no nosso tempo, tão rico de conhecimento sobre o universo, mas tão pobre de sabedoria sobre a vida eterna”, relatou Francisco.

O mistério da vida

Por trás da interrogação dos saduceus, prosseguiu Francisco, se esconde outra ainda mais profunda: depois desta peregrinação terrena, o que será da nossa vida?

Jesus responde que a vida pertence a Deus, o qual nos ama a ponto de unir o seu nome ao nosso: é "o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele". (vv. 37-38).

“A vida subsiste onde há relação, comunhão, fraternidade; e é uma vida mais forte do que a morte quando é construída sobre relações verdadeiras e laços de fidelidade”, disse o Santo Padre.

O Papa Francisco acrescentou, em sua explicação, que não há vida onde se tem a pretensão de viver para si. “Do contrário, não há vida onde se tem a pretensão de pertencer somente a si mesmos e viver como ilhas: nessas atitudes prevalece a morte. É o egoísmo. Eu vivo para mim mesmo: estou semeando morte no meu coração", explicou.

Francisco terminou a oração mariana deste último domingo pedido à Virgem Maria para que ajude a vivermos todos os dias na perspectiva daquilo que afirmamos quando rezamos o Creio: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”.


Fonte: Amex, com Vatican News