20 de Maio, 2015

Senhor Zico conviveu com o Pe.Donizetti durante todo período que esteve em Tambaú

O senhor Orlando Macatrozzo (Zico) se lembra de todos os detalhes da vida do Pe.Donizetti
Orlando Macatrozzo, conhecido por Zico, 95 anos, marceneiro aposentado, conviveu com o Pe.Donizetti desde sua chegada a Tambaú em 1926 até seu falecimento ocorrido em 1961. Ele nos conta como era a vida do Pároco, com o qual nutriu uma grande amizade e respeito.
            “O Pe.Donizetti chegou aqui e começou a preparar as crianças para a 1ª comunhão e a crisma. Eu tinha 6 anos e estava entre essas crianças, foi quando conheci o Padre. Com 14 anos ele fundou a Congregação Mariana de Moços e Moças, passei a ficar mais perto dele. Estudei música durante 9 meses e fui convidado a fazer parte da 1ª banda de música criada pelo Pe.Donizetti: São Vicente de Paulo. O Padre era o presidente e o Antonio Augusto Barbin era o maestro. Depois de muitos anos a banda deixou de existir. Eu e os amigos Deomedes D’Ercole e Arlindo Assalim, juntamente com o Pároco, formamos outra banda para tocar nos eventos religiosos que recebeu o nome de banda musical Nossa Senhora Aparecida. Como eu sabia escrever as letras musicais me colocaram como maestro, depois o Arlindo Assalim assumiu.”, diz o seu Zico.
           Sobre a vida que o Pe.Donizetti teve na cidade, assim ele o definiu: “Era uma pessoa muito boa, simples, enérgica quando necessário (proibiu as pessoas de irem aos bailes), preocupada com os mais pobres, defendia sempre os operários e trabalhadores rurais (fundou o Sindicato e o Círculo Operário). Fazia questão de andar a pé pelas ruas, conversava com todas as pessoas sem fazer distinção, as crianças gostavam muito dele e vinham pedir sua bênção. Era um líder respeitado por todos. Qualquer problema que houvesse enfrentava tudo sozinho, não gostava de envolver os outros. Criou o asilo e a creche. A 1ª coisa que fez quando chegou a Tambaú foi acabar com os bancos da frente na igreja, que eram reservados para as autoridades e os mais ricos. Para ele todas as pessoas eram iguais.”
          Com relação às curas realizadas por sua intercessão, seu Zico assim se expressou: “O Pe.Donizetti pediu a réplica da imagem de Nossa Senhora da Basílica de Aparecida. Quando ela chegou chovia muito forte na cidade. Mesmo assim a procissão até a Matriz Santo Antonio foi realizada e ninguém se molhou. Para as pessoas ele sempre falava que não curava ninguém, somente intercedia junto a Nossa Senhora. Após a cura do vendedor de vinhos de Poços de Caldas de nome Marcassa (trouxeram ele de cadeira de rodas porque tinha problemas nas pernas), a divulgação começou a ser feita e iniciaram-se as romarias. Presenciei muitos milagres, inclusive do menino que não andava e deixou o aparelho ortopédico na casa do Padre. Eu estive também na última bênção coletiva em 1955. A multidão era imensa. Muitas pessoas foram curadas nessa data. Á noite deu uma chuva forte que limpou a cidade. No dia seguinte não tinha mais ninguém de fora por aqui.”
         Para encerrar, seu Zico falou do dia mais triste que foi a morte do Pe.Donizetti: “Participei do velório na igreja São José e do enterro. A banda que estava com as atividades paralisadas foi formada para o cortejo fúnebre; porém, eu não toquei nesse dia. Foi tudo muito triste.”
         Seu Zico fala com emoção da amizade que tinha com o Padre: “Eu trabalhava na oficina de móveis do Martinelli. Passava em frente a casa dele para ir trabalhar e parava para conversar todos os dias. Ele celebrou meu casamento e batizou todos os meus 5 filhos.”
         O senhor Orlando Macatrozzo (Zico) se lembra de todos os detalhes da vida do Pe.Donizetti. Para ele, que é testemunha viva, o Padre já é Santo há muito tempo.
         Nas fotos, seu Zico posa ao lado do jornalista Francisco Donizetti Sartori da equipe do Santuário e da filha Sandra.